segunda-feira, 16 de abril de 2018

Se cuide macho


Mulher que insiste torna o homem melhor

Ronaldo Magella 16/04/20018

Homem só é homem por preguiça.
Todo homem é descuidado por natureza.
Homem não se cuida por falta de insistência.
Se alguém insiste, ele melhora.
Não precisa de muito esforço, basta cuidado.
Minha amiga conseguiu, insistiu tanto que não sou mais o mesmo.
Ela veio de mansinho, ah, vou fazer as suas unhas. Tirar cutícula. Vou vai ver. Mas o dia nunca chegava. Suspira aliviado. Ela esqueceu, que bom, pensava comigo mesmo.
Depois ameaçou fazer minhas sobrancelhas. Até que o mundo veio abaixo.
Ela começou fazendo a minha barca, com uma pinça. Dor.
 Se existe sofrimento maior, não sei registar até o momento.
Fio por fio, centímetro por centímetro, sob ordem, não podia me mexer. Vira pra o lado, levanta a cabeça, fica sentado, obedecia, que mais eu poderia fazer?
Por que homem não se cuida? Ela se questionava, enquanto me arrancava fios e ria das minhas caras de dor.
Todo homem é manhoso, não aguenta dor, deixo registrado.
Foi a insistência que venceu.
Agora ela vai me ensinar a fazer um ovo decente, um café digno, um jantar prendado.
Já sei levar café na cama, isso deve contar, já ajuda, né?
Sou um bom aluno, aprendo calado, melhor pra mim.  


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Disposição


A conquista é sempre cheia de esforço, o tédio vem depois

Ronaldo Magella 09/04/2018

Uma amiga me diz, na relação a mulher tem sempre mais disposição do que o homem.

Os homens fazem muito esforço para conquistar, no primeiro momento querem se mostrar atraentes, interessantes, engraçados, inteligentes, apostam todas as fichas na primeira fase da sedução, depois caem no tédio.

Perdem o interesse, se tornam cansativos, impacientes, chatos e insensíveis.

A minha amiga me diz que uma relação boa e com vida requer muito trabalho, não é só conquistar, mas manter-se após essa fase, conservar o diálogo, ter sensibilidade para os detalhes, não ignorar os momentos e as situações.

Os homens, ela me diz, são sempre elogiosos quando querem conquistar alguém, são pacientes, companheiros, prestativos, sabem construir uma imagem, mas isso precisa continuar, fazer parte da rotina, a disposição tem quer se constante, perene, não apenas de um momento.

Uma mulher recebe muito elogio quando é cortejada, mas isso cessa já na fase do namoro, aliás, a melhor fase, de namorar, demora muito pouco, diz ela.

Homem é muito relaxado, acha que está sempre tudo bem, normal, quando nem sempre é assim, muitas coisas são silenciadas, mas não quer dizer esquecidas.

Os homens são mais práticos, apressados, impacientes, não entendem as necessidades femininas de tempo, segurança, confiança, diálogo.

Segundo a minha amiga, as mulheres são mais preocupadas com o bem estar do casal, com as necessidades da relação, com o cuidado da vida a dois, os homens, por ignorância ou insensibilidades, são mais insossos, o que vai tornando a relação rugosa e arrastada.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Cuide....


Ela atrasa por atenção

Ronaldo Magella 19/03/2018

Já aprendi, puxo pelo pé, não tem mais tolerância.

Acabou, levanta a cuida. Anda logo!

Ela atrasa por atenção, só mais dois minutos, ela diz.

Que nada. Ela atrasa. É costume, tem a fama, conhecida.

Uma vida pra o banho, um século pra o cabelo, uma década para o rosto.

No banho ela pensa na roupa, secando o cabelo ela já mudou de ideia, pintando o resto ela já desistiu mil vezes, chega a chorar, se arrepende, volta atrás, desiste outra vez, fica magoada, porra, não sei, vai essa merda mesmo, foda. Se lasque.

O resultado? Com raiva, ela diz, não me arrumei direito. Porra.

Ela reclama. Você precisa me elogiar mais, ela me diz. Matei.

Ela só quer atenção, toda demora, todo atraso, ela só quer atrair seus olhos, ter a sua atenção.

O atraso é sempre um esforço para seduzir, a demora só deseja atenção, o cuidado sempre espera um elogio.


sexta-feira, 9 de março de 2018

Afinidades


Onde não existir afinidade, não se demore

Ronaldo Magella

Se a conversa não fluir, não fique
Se o beijo não for bom, corra
Se o abraço não aperta, desista
Se os corpos não desejarem, não compensa
Se não houver sorrisos, se vá
Sem respeito, diga adeus
Sem afeto, não perca tempo
Sem carinho, diga tchau
Quando o silêncio for maior, saia
Se não houver afinidades, não insista
Sem parceria, siga em frente
Sem atenção, cancele
Sem vontade, se proibida
Se forçada (o), diga não
Onde não se enxergar, não se demore
Onde não houver reciprocidade, cai fora
Se não for pra ir junto, melhor ir só

domingo, 4 de março de 2018

Crônica


Nem sempre o silêncio cala o pior

Ronaldo Magella – professor, jornalista

Silêncio não quer dizer dor, silêncio nem sempre é ausência, silêncio não significa que não sentiu, não gostou.

Sei que dói não ouvir palavras, ter um comentário, saber uma resposta para o que sentimos ou realizamos.

Mas diante do silêncio do outro não podemos pensar o pior. 

Nada nos incomoda mais do que o silêncio do outro diante da nossa ávida busca por respostas.

Quando a gente não sabe o que o outro pensa, melhor deixar que fale ou cale, conforme desejar.

Quando há silêncio, nos resta observar. E esperar.

Nem todo gostar vem acompanhado de palavras, frases e declarações, às vezes quem cala sente mais.

Há muito barulho no silêncio, o mundo interior muitas vezes chega até nós de outras formas, nem sempre com sons e melodias verbais.

Precisamos aprender a ouvir o que outro diz sem palavras.

Precisamos sentir o outro sem barulho.

Precisamos saber do outro sem que ele nos conte.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Com o tempo

Antes importava chegar, agora o importa é a viagem

Ronaldo Magella 06/11/2017

Marisa Monte cantou, “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem”, refletindo uma época das nossas vidas de espalhamento e vivências intensas.

O tempo passa e a gente vai deixando querer de ser de todo mundo, preferindo ser de alguém, buscando um único sorriso, um olhar em particular, o melhor abraço que possa nos conter pra gente se deixar ficar, a pessoa especial.

Parece que a maturidade nos deixa mais seletivos, também com poucas opções, é verdade, ou será que é a gente que não se permite mais os abusos de antes? Talvez as duas coisas, tudo junto e misturado, mais seguros, experientes, porém, menos inconsequentes, menos situações possíveis, uma vida mais enxuta.

Vamos percebendo ao longo da vida a valorizar os detalhes, a conversa gostosa, a companhia a agradável, os projetos possíveis, o sonhos reais, a vida a dois, o afeto sincero, o carinho suave, o cuidado sem interesse, o amor tranquilo, a paixão controlada.

Antes a gente queria virar a noite, com o tempo a gente prefere a nossa cama e sonha com um abraço quente pela manhã, um beijo com sabor de hortelã e café, um bom dia sereno e um rosto ameno para nos dar coragem de seguir.

Antes a gente quer fazer tudo com tudo mundo, ir pra todos os lugares, fazer parte, está incluído em tudo, não perder nada, depois, a gente acalma os impulsos, prefere os lugares calmos, de silêncio forte, pra esquecer a semana, pra curtir o outro, pra olhar nos olhos e segurar a mão, sorrir e pronto.

Mas a gente precisa da vida veloz, pra ir desacelerando aos poucos, antes o importante era chegar, ir, com o tempo o que importa é aproveitar a viagem, curtir a paisagem, a conversa pelo caminho, a experiência da vivência.

Meio que me sinto velho, encontro prazer no pouco, estou no ritmo lento, no caminhar seguro, no olhar terno, buscando o prazer do detalhe, da vida possível, já vivi o antes, agora escolho os passos calmos do depois, com prudência e esperança.



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Vida

A ânsia pela vida que ainda não vivi

Ronaldo Magella 23/10/2017

De todos os medos, o maior que tenho é o de não viver, passar pela vida incólume das suas exuberâncias, do seu único sentido, que é viver, apenas isso, viver.

No filme Otherlife, disponível na Netflix, uma nova droga é criada, com ela é possível viver experiências sensoriais como se fossem reais, assimiladas pelo cérebro, tornando-se memórias, lembranças, táteis, reais.

As experiências mais fascinantes, mergulhar no mar, esquiar na neve, entrar num vulcão, escalar uma montanha, flutuar no espaço, viver tudo que é possível neste mundo, saltar de avião, descer um rio, entrar numa caverna, conhecer os lugares mais singulares do mundo.

Enquanto extasiava-me com as cenas do filme, percebia que a nossa vida é muito pequena, curta, simples, tediosa e limitada, somos reféns das nossas escolhas, prisioneiros dos nossos desejos, amargurados com a nossa realidade, ávidos e sedentos por mudanças, medrosos e inseguros de arriscar, de mudar.

Vamos passar a maior parte da nossa vida salivando por uma paixão arrebatadora, por um amor único, por uma alegria contagiante, mas aos poucos vamos nos perceber que somos pequenos e medíocres por viver apenas aquilo que podemos, nossas contas, nossos dias, nosso trabalho, nossas possibilidades.

O que me angustia não é o viver, mas a ânsia pela vida que ainda não vivi, a vontade ávida de sentir a vida, fazer parte de algo, construir uma história, provocar saudades, ter lembranças, arder de desejo, tremer de vontade, chorar de emoção, gritar de euforia, gostar por prazer.